@FaroEditorial lança dois livros em comemoração ao centenário da escritora Ruth Guimarães

Uma das maiores escritoras negras do Brasil, a primeira e ter reconhecimento nacional ainda em vida de sua obra; cronista, jornalista, romancista, contista e tradutora Ruth Guimarães será publicada pela Faro Editorial a partir deste mês: “Contos negros” e “Contos índios”.

Os contos presentes nestes livros foram extraídos unicamente da tradição oral dos povos do Vale do Paraíba, no encontro entre três estados, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. A autora seguiu, na produção desses textos, técnicas de coleta folclórica que aprendeu como professor, Mário de Andrade, entre os anos de 1942 e 1944.



Contos Negros


Em muitos lugares brasileiros, ainda persiste o costume de contar histórias… Em geral, em torno de uma fogueira. É só ficar de mão no queixo, sentado em cima das toras, escutando. O círculo das caras atentas arde ao calor das chamas. Todos se voltam para o narrador, num tropismo original. Não é que o tempo esteja sobrando, não é isso. Em verdade, não existe mais o tempo. Acabou-se o seu império sobre os homens. Não se cuida nem da hora, nem do correr dos instantes. O tempo é o fluir da história. Tempo e espaço se contam na vida dos príncipes e das princesas e do seu povo encantado. Assim, a história vem lenta. Assim, vem comprida. Com repetidos pormenores, cumulativa, misteriosa e sutil, dentro do sutil da noite misteriosa. Transportamo-nos para um outro mundo habitado por duendes e fantasmas, por espíritos bons, pelos bichos que falam. Coisa linda de se ouvir e de se viver. A empatia é tanta, que estamos tão do lado de lá, quanto Alice no País dos Espelhos. Dá pena haver crianças que nunca ouviram casos narrados assim. Estas histórias são, pois, nossas, brasileiras e africanas, genuínas e espontâneas, inventadas pelo povo. Correm por aí (ainda, mas não por muito tempo). Cumpriram e cumprem a contento a alta função principal das histórias: a de entreter. E, através do entretenimento, realizam, certamente, esta coisa extraordinária: predispõem-nos ao amor do Bem, do Belo e do que é Nosso. Mais não lhes poderemos pedir.

Contos Índios


Toda as histórias deste livro foram extraídas apenas de registros orais. São, portanto, inéditas do amplo trabalho de Ruth. Os contos resultaram de pesquisa de campo, no Médio Vale do Paraíba do Sul, estado de São Paulo, tendo como centro e pião a cidade de Cachoeira Paulista. E, dali, feitas coletas nas cidades vizinhas também, e no litoral. É, claro, vieram também de informantes de outros estados, com predominância de mineiros, donos de parte do Vale. A autora aproveitou cada reconto quando lhe foram apresentadas duas ou mais variantes, pois isso confirmava a sua aceitação, verdade e importância. Logo, tratou de escolher a variante mais elaborada, e com mais pormenores. Nada foi acrescentado, nada foi tirado, dos motivos básicos, da sequência, da filosofia. O que era moralizante continuou moralizante; todas as histórias permaneceram completamente isso mesmo que está aí. O que chega em suas mãos é um registro único, escrito por Ruth, que esteve cuidadosamente guardado por anos com seus filhos e que agora é oferecido à apreciação de todos.

Dani Ella

Dani Ella

Meu nome é Daniela, sou paulista, e tenho 28 anos, mas no meu coração ainda sou uma criança que ama comer doces e passear de bicicleta por aí. Me apaixonei pelos livros na infância, com gibis e livros ilustrados. Já li de tudo mas sempre preferi os chick-lits.

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