Resenha #95 Um Acordo de Cavalheiros – Lucy Vargas @BertrandBrasil

Título: Um Acordo de Cavalheiros
Autor (a): Lucy Vargas
Lançamento: 2017
Estante: Skoob – GoodReads
Páginas: 350
Editora: Bertrand Brasil

Literatura: Nacional

Gênero: Romance, ficção


Estrelas: 5/5

Um romance sensual e arrebatador repleto de intrigas, morte e desejo.
Tristan Thorne, o Conde de Wintry, não é um homem para brincadeiras. Com uma vida de segredos, amado e odiado na sociedade, ele não é o parceiro ideal para uma dama. Dorothy Miller não sabe o que há por trás de suas motivações, apenas que ele é bastante intenso. Os jornais dizem que ele bebe demais, joga demais e ama escandalosamente. E até mata. Como uma dama determinada a ser dona do próprio destino como Dorothy Miller acaba em um acordo com um homem como Lorde Wintry? Você teria coragem de guardar um segredo com o maior terror dos salões londrinos? Lembre-se: Nunca faça acordos com ele, pois o conde sempre volta para cobrar.

Lucy Vargas é uma autora encantadora, não só pela sua escrita, suas histórias, mas também pela sua simpatia com seus fãs. Eu conheci a autora no início do ano passado quando fui ao lançamento de Uma Dama Imperfeita aqui no Rio (e por coincidência, era o dia do meu aniversário também). E tive a oportunidade de reencontrar com ela na Bienal. Em ambas as vezes ela foi super simpática e muito atenciosa com todos. 


Lucy Vargas em vários livros lançados, como as séries Os Prestons, lançada pela Editora Charme, Os Ward, lançada pela Amazon, e agora Um Acordo de Cavalheiros, lançado pela Bertrand Brasil. 

Em um Acordo de Cavalheiros, conhecemos a história de Dorothy  Miller, uma dama de reputação impecável, embora esteja ficando um pouco velha e deva arrumar uma casamento logo. Dorothy é órfã e mora com o tio doente e a prima, Cecilia. Em todas as suas temporadas, Dorothy tentou a todo custo parecer uma dama de reputação impecável e bem vista perante a sociedade para que quando sua prima debutasse elas fossem chamadas para os melhores bailes e assim a menina possa arrumar uma bom casamento.

No entanto, essa postura de menina recatada e dama impecável pode ser abalada por um acontecimento um tanto surpreendente. Dorothy acorda numa cama estranha, apenas de meias e com um estranho. O estranho é ninguém menos do que Tristan Thorne, o Conde de Wintry. Tristan, após o ocorrido, decide propor um acordo a Dorothy, a quem ele chama de Dot, que eles se tornem amantes durante a temporada. 

Um Acordo de Cavalheiros já tem seu início de forma inesperada com Dot acordando junto ao maior libertino de Londres e não se sentindo tão horrorizada quanto deveria, se comparado aos demais romances de época. Se você acha que encontrará uma descrição de como os protagonistas se apaixonaram gradualmente até se casarem e finalmente terem uma noite de amor, você está muito enganado. Aqui as coisas já começam na noite de amor entre eles, ou quase isso, já que Dot dormiu bem quando as coisas começaram a esquentar.

Outro ponto que diferencia Um acordo de Cavalheiros de outros romances de época é que a autora criou personagens bem a frente de seu tempo. Dot, apesar de ter algumas inseguranças, se mostra uma mulher bem moderna e não sendo uma mocinha tão casta quanto todos pensam que ela é, ela quer mais do que apenas um bom casamento. E Tristan, mesmo sendo um homem do século XIX, é bem resolvido quanto a sexualidade das mulheres e é o principal responsável pelo crescimento de Dot, não só como ser humano, mas também como mulher, ele a ajuda a descobrir que ela e só ela possui o direito de escolha sobre o próprio corpo. A autora escreve sobre um tema que, mesmo em pleno século XXI, ainda não é tão discutido quanto deveria e assim ela, além de abrir mais uma brecha para que as pessoas possam discutir o assunto, criou também personagens muito a frente de seu tempo.

A história ainda possui em sua trama um mistério, o passado do Conde. Tristan persegue uma vingança pessoal e possui, assim como Dot, alguns segredos que só começam a ser revelados no meio da trama. No entanto, a cada revelação a história fica cada vez mais intrigante e várias vezes me peguei tentando adivinhar o que aconteceria em seguida.

Outro ponto forte do livro é que a autora não tentou colocar personagens clichês, que acabam de alguma maneira se redimindo e mudando totalmente em prol do amor. Porque vamos combinar, isso tudo é muito lindo, mas não passa de mentira. Aqui os personagens são reais e, apesar de todo caminho que percorrem para ficarem juntos, ninguém muda só para agradar o outro, ou você ama a pessoa como é, ou não ama.

O livro é escrito em terceira pessoa e a narrativa é completamente empolgante e apaixonante, com algumas pitadas de humor. E eu me surpreendi ao me pegar gargalhando ao ler uma cena do casal e na cena seguinte ser completamente intensa. Lucy Vargas conseguiu construir essa passagem entre as cenas de forma impecável, de maneira que em um momento você está rindo com a cena de Tristan e Dot e no momento seguinte a cena está carregada de paixão e tensão.

Sobre os personagens secundários, eu só posso dizer que já quero um livro contando a história de Cecilia, porque ela, mais do que ninguém, merece finalmente encontrar alguém por quem se apaixone de verdade e quero também um livro contando a história do Duque e da Duquesa e outro contando a história do casamento da Nancy.

Esse livro, com certeza entrou para a lista de preferidos de 2017 e eu recomendo para todos que gostam de um bom romance de época onde a mocinha não é besta e sabe muito bem o que quer da vida. 

Leia também

46 Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Editora Parceira

Aliança de Blogueiros

Arquivo