Resenha #235
O Homem Que Odiava Machado de Assis – José Almeida Júnior @FaroEditorial

Título: O Homem Que Odiava Machado de Assis 
Autor (a): José Almeida Júnior
Lançamento: 2019
Estante: Skoob
Páginas: 240
Editora: Faro Editorial
Compra: Amazon
Literatura: Nacional
Gênero: Romance, Ficção
Estrelas: 3,5
 

E SE O PRINCIPAL LIVRO DE MACHADO DE ASSIS FOSSE AUTOBIOGRÁFICO? 
Neste romance, uma outra face de Machado de Assis é apresentada e convidamos os leitores a conhecerem a versão de seu adversário mais desgraçado. Dois garotos, de origens muito diferentes, são forçados a conviver por alguns anos e acabam por ver suas trajetórias enlaçadas por um destino irônico. Do Morro do Livramento, passando por Portugal e pelo Rio de Janeiro do final do século XIX, os meninos, agora homens, se reencontram e retomam uma rivalidade pela qual vale dedicar a vida. E hoje, enquanto um é celebrado como um dos maiores escritores brasileiros, Pedro Junqueira, nosso personagem marcado pelo azar e pela usurpação, tem pela primeira vez a chance de ver sua história narrada sob outro ponto de vista… Porque ter como adversário o escritor de maior prestígio na literatura brasileira não deve ser fruto apenas do acaso, mas uma maldição. Junqueira não teve apenas ideias roubadas e oportunidades minadas, mas também a perda de seu grande amor.

Livro cedido em parceria com a editora.
 
O Homem Que Odiava Machado de Assis é o segundo livro de José de Almeida Júnior, vencedor do prêmio Sesc de Literatura e finalista do prêmio Jabuti. O livro começa com Pedro Junqueira que, enquanto todos choram a morte de Machado de Assis, está na taverna bebendo e remoendo o fato de seu inimigo de infância ser tão amado por todos. É então que ele e Sílvio Romero decidem escrever um livro contando sua biografia e desmascarando Machado de Assis. Mostrando a todos a verdadeira índole do falecido.
 
Eis que então, Pedro começa a narrar sua vida, desde os seis anos, quando perdeu sua mãe e seu pai lhe mandou para morar com sua tia Maria José no Morro do Livramento no Rio de Janeiro. É aí que Pedro conhece Joaquim e Joana, duas crianças que moravam na chácara de sua tia. Joana é a filha da cozinheira e Joaquim um agregado, as duas crianças são mulatas e protegidas de sua tia o que, para Pedro, era um absurdo, visto que ele era o menino branco e rico. E tudo piora quando os dois meninos começam a brigar e sua tia o pretere em favor do outro menino.
 
 
Porém, Pedro não fica muito tempo na chácara de Dona Maria e vai estudar no Colégio Pedro II e em seguida vai para Portugal estudar direito na faculdade de Coimbra. Lá, durante uma viagem à cidade do Porto, ele conhece  Carolina Novaes, com quem acaba se envolvendo. No entanto, devido a imaturidade de Pedro as coisas não acabam muito bem para eles.
 
Ao retornar ao Brasil, Pedro descobre que Carolina se casou com  Machado de Assis, que por acaso vem a ser Joaquim, seu inimigo de infância. É a partir daí que Pedro toma como meta recuperar para se o grande amor de sua vida, Carolina, e de quebra desmascarar Machado de Assis e para isso ele tenta se aproximar da família e se tornar amigo dele para ter livre acesso a casa, mas Machado de Assis acaba por desconfiar.
 
Pedro Junqueira, logo no início do livro, nos mostra que não é exatamente tão inocente quanto acredita. Pelo contrário, logo percebemos que ele é mimado, por vezes, imaturo, desejando algo apenas porque quer e quando consegue foge da responsabilidade do que conseguiu apenas por acreditar que não está pronto para aquilo, que acredita ser merece dor de algo apenas por ser branco e rico. Entretanto, Machado de Assis não é exatamente tudo que Pedro acha, mas também não é nenhum santo. Ele se mostra invejoso, bajulador e se fazendo de artimanhas. Em meio a dois personagens com tantos defeitos o leitor fica na dúvida se confia ou não no que Pedro diz.
 
 
Joana foi uma das personagens que mais chamou minha atenção, pois inicialmente eu achei que ela seria a causadora de toda discórdia entre Pedro e Machado de Assis, mas ela se mostrou num papel bem diferente.  No decorrer da história temos a participação de algumas figuras já conhecidas da literatura brasileira, como José de Alencar, e alguns fatos históricos do Brasil, como a Lei do Ventre Livre. 
 
A leitura demora a engatar no início, mas conforme você descobre mais sobre a vida de Pedro, você quer a todo custo terminar o livro e descobrir que fim ele levará em meio a seus caprichos e desejos e se ele conseguirá ou não Carolina de volta. E é por conta desse início um pouco lento que eu dou nota 3,5. A diagramação da Faro está espetacular e bem caprichada como sempre, sem nenhum erro. A capa está bonita e traz a imagem de Machado de Assis negro, sendo a primeira obra publicada com uma foto real do autor.
 
Eu recomendo o livro para quem gosta de clássicos, pois, apesar desse livro não ser necessariamente um clássico, ele se passa bem como um. E nos traz uma visão diferente sobre duas obras de Machado de Assis, sendo que uma delas pode ou não ser uma autobiografia do autor. 
 
Beijos e até a próxima!

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