A Devolvida, romance de Donatella Di Pietrantonio @FaroEditorial

“Eu repetia devagar a palavra mãe umas cem vezes, até perder todo o sentido e se tornar apenas um movimento dos lábios. Eu fiquei órfã de duas mães vivas. Uma me entregou quando eu ainda tinha seu leite na língua; a outra me devolveu quando eu tinha treze anos. Eu era filha de separações, de laços de parentesco falsos ou omitidos, de distâncias. Não sabia mais de quem eu provinha. No fundo, até hoje não sei.”

A Faro Editorial lançou este mês o premiado romance de uma das autoras italianas de maior destaque na atualidade, Donatella Di Pietrantonio.

A Devolvida, um romance arrebatador, que foi destaque no clube de assinatura TAG inéditos, fala sobre o abandono parental, sobre a Nápoles do pós-guerra e a maternidade sob um ponto de vista emocionante.

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O abandono deixa marcas, cria feridas e constrói barreiras que muitas vezes não sabemos como transpor. Sem o afeto familiar, sem saber o seu lugar no mundo e o seu valor para as pessoas, tal como a Macabéa de Clarice Lispector (A Hora da Estrela).

A trama já ultrapassou a marca de 250 mil cópias vendidas na Itália, será publicado em mais de 25 países e já teve seus direitos de adaptação cinematográfica vendidos, além de receber o Prêmio Campielo em 2017.

Di Pietrantonio desembarcar no Brasil em outubro para participar de uma série de eventos promovidos pelo Instituo Italiano de Cultura, passando por Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro.

Aos 13 anos, uma garota é levada do lar abastado onde vive para uma casa estranha e com pessoas que dizem ser seus pais e irmãos. Quem era ela afinal? A quem pertencia? De que mundo fazia parte? Talvez ela nunca soubesse nenhuma dessas respostas ou talvez fosse melhor não saber.
Na pequena cidade italiana todos conhecem sua história: ela é a criança que os pais naturais, pobres e de família numerosa, “deram” a um parente que não podia ter filhos e que este a devolveu quando a menina frequentava o ensino médio, não por maldade, mas porque a vida pode ser mais complexa do que imaginamos e nos força a fazer escolhas dolorosas.
Ela era a devolvida. Sentia-se como uma estrangeira na nova casa e, desde então, a palavra “mãe” travara em sua garganta. Privada até de um adeus por aqueles que sempre acreditou serem seus pais, ela se vê incrédula ao enfrentar o sofrimento de ser abandonada novamente de forma repentina.
“Minha vida anterior me distinguiu, me isolou na nova família. Quando voltei, falava outra língua e não sabia mais a quem pertencia”.

Forçada a crescer para reintegrar-se ao seu núcleo original, ela vive uma sensação de subtração, de gente esvaziada de significado, e nos ensina em meio à dor como encontrar sentido quando tudo parece desmoronar.

Um mundo fibroso e primitivo, que penetra nas veias da personagem peculiar e inquietante é o mecanismo narrativo de A devolvida, o combustível literário que permite a Di Pietrantonio manter um ritmo acelerado, mas sempre apoiado por uma escrita febril e poderosa: a recusa do protagonista de se resignar a essa inevitável genética geográfica, a obstinação em não querer permanecer em um lugar escolhido para ela.CORRIERE DELLA SERA

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