Resenha #275 A Balada do Black Tom – Victor Lavalle @edmorrobranco


Título: A Balada do Black Tom
Autor: Victor Lavalle
Lançamento: 2018
Estante: Skoob
Páginas: 190
Editora: Morro Branco
Comprar: Amazon
Literatura: Internacional
Gênero: Terror, suspense
Estrelas: 3,5/5

“Um tributo e uma crítica a Lovecraft” – NPR As pessoas se mudam para Nova York em busca de magia e nada vai convencê-las que ela não está lá. Charles Thomas Tester luta para colocar comida na mesa e manter um teto sobre a cabeça de seu pai, aceitando fazer trambiques e trabalhos obscuros do Harlem a Red Hook. Ele sabe bem o tipo de magia que um terno pode proporcionar, a invisibilidade que um estojo de guitarra lhe oferece e a maldição escrita em sua pele, atraindo os olhares atentos de ricas pessoas brancas e seus policiais. Mas quando faz a entrega de um livro oculto a uma feiticeira reclusa no coração do Queens, Tom abre uma porta para um domínio mais profundo de magia – despertando a atenção de seres que deveriam permanecer adormecidos. Uma tempestade que pode engolir o mundo está se formando no Brooklyn. Será que Black Tom irá viver para vê-la se dissipar?

***

Eu não tenho muito o costume de ler histórias de terror, como King, Rafael Montes e autores do tipo. Mas de vez em quando leio um livro ou outro do gênero, especialmente Lovecraft, pois minha irmã é uma fã do autor e acabou por me influenciar. Assim, estava eu comprando Tiger Lily da Morro Branco, totalmente influenciada pelo Jésus (Eu sou bem influenciável), me julguem!), quando vi A balada do Black Tom e pensei “Porque não?”.

A Balada do Black Tom conta a história de Charles Thomas Tester, um homem negro de 20 anos que é um conhecido trambiqueiro. Ele é filho de Otis Tester, um pedreiro com muito talento para a música, e de uma pianista. É natural que ele tivesse uma inclinação para a música, mas lhe faltava o talento.

Como é difícil para ele arranjar um emprego onde possa sustentar a ele a ao pai, ele viu no trambique uma forma de ganhar dinheiro. Tudo ia bem, até que ele precisa entregar um livro para Ma Att, uma feiticeira, e rouba a última página do livro para que este perca seu poder. Após isso, ele resolve que vai deixar as tramóias e começa a aprender a tocar violão e cantar com seu pai.

Um dia, tocando no cemitério, Thomas é parado por um senhor que lhe diz que irá pagar para ele tocar na festa dele daqui a três dias. O jovem não pensa duas vezes e aceita a proposta. Seu pai desconfia do homem e dá a Thomas uma navalha para que ele possa fugir da casa caso algo aconteça. E, ao voltar da festa, a vida de Thomas muda e agora ele é conhecido como Black Tom.

O livro é baseado num conto de Lovecraft chamado O Horror em Red Hook. Esse conto de Lovecratf é considerado extremamente racista e xenofóbico até para a época em que se passa. Sendo assim, já podemos imaginar que A balada do Black Tom também teria algum teor de racismo, bem menor que o conto original, mais ainda tem, pois o conto se passa na década de 20 quando os Estados Unidos eram uma nação completamente racista se comparada a hoje em dia.

O livro é dividido em duas partes. Na primeira acompanhamos Thomas Tester até sua mudança. Vemos como a sociedade o trata como um nada e por muitas vezes o ignora. E esse fato é o que faz com que ele aceite o trabalho que Robert Suydam lhe propõe, pois não é sempre que uma pessoa rica e branca lhe oferece um serviço onde ele ganhará muito dinheiro. Na segunda parte acompanhamos Malone, um policial que está investigando Suydam e por isso acaba esbarrando em Thomas Tester diversas vezes.

Na história temos uma mistura de fantasia com horror cósmico. As pessoas aqui vão a Nova York atrás de magia, mas o autor nos apresenta inicialmente uma magia comum. Uma pessoa negra vestindo um terno o ajuda a não destoar no meio da multidão, porém o terno precisa estar puído e os sapatos gastos para não dar uma impressão de muito dinheiro. O estojo de violão que Thomas Tester usa lhe ajuda a ficar invisível na multidão, como um músico falido.

A edição da Morro Branco está linda, bem diagramada, com folhas amareladas e capa dura. Além de trazer no fim do livro o conto original de Lovecratf. A editora tentou, ao traduzir o conto original, manter o teor racista e xenofóbico de Lovecraft impôs em seu conto para que os leitores tivessem a mesma reação que Lavelle, já adulto, teve ao ler o conto que tanto gostava quando criança.

Eu recomendo o livro para quem gosta de horror cósmico, mas nada que aterrorize muito, assim como para quem gosta das histórias de H.P. Lovecraft.

Beijos a até a próxima!

Bell

Bell

Sou Bell Paula, tenho 28 anos e sou Bacharel em química e estudante de Tecnologia de Processos Químicos. A leitura está presente na minha vida desde criança, quando meus pais compravam para mim os gibis da Turma da Mônica, isso com meus 8 anos. Apaixonada por série que ninguém conhece, filmes clichês e músicas estranhas, tenho no manuscrito um lugar para falar das minhas leituras e compartilhar minha paixão. Amo livros de YA, romance e fantasia, mas adoro um bom clichê.

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