Resenha #331 Todos, Nenhum: Simplesmente Humano – Jeff Garvin @plataforma21_

Resenha #331 Todos, Nenhum: Simplesmente Humano – Jeff Garvin @plataforma21_

Título: Todos, nenhum: simplesmente humano
Autor: Jeff Garvin
Lançamento: 2017
Estante: Skoob
Páginas: 400
Editora: Plataforma21
Comprar: Amazon
Literatura: Internacional
Gênero: Young Adult, LGBTQI+
Estrelas: 5,0/5,0

“A primeira coisa que você vai querer saber sobre mim é: sou menino ou menina?” Riley Cavanaugh é um ser humano com muitas características: perspicaz, valente, rebelde e… gênero fluido. Em alguns dias, se identifica mais como um menino, em outros, mais como uma menina. Em outros, ainda, como um pouco dos dois. Mas o fato é que quase ninguém sabe disso. Depois de sofrer bullying e viver experiências frustrantes em uma escola católica, Riley tem a oportunidade de recomeçar em um novo colégio. Assim, para evitar olhares curiosos na nova escola, Riley tenta se vestir da forma mais andrógina possível. Porém, logo de cara recebe o rótulo de aquilo. Quando está prestes a explodir de angústia, decide criar um blog. Dessa forma, Riley dá vazão a tudo que tem reprimido sob o pseudônimo Alix. Numa narrativa em que o isolamento é palpável a cada cena, Jeff Garvin traça um poderoso retrato da juventude contemporânea. Somos convidados a viver a trajetória de Riley e entender o quê, afinal, significa ser humano.

***

Sabe quando você namora um livro por tanto tempo que ele meio que se torna um amor platônico? E de repente, num arroubo de loucura e gastos, você consegue ele e você tem expectativas altas?! E ai você lê o tão famigerado livro e… e ele é perfeito!

Essa é basicamente minha história com Todos, Nenhum: Simplesmente Humano.

A primeira coisa que você vai querer saber sobre mim é: sou menino ou menina?

Riley Cavanaugh é como qualquer outro jovem, com duvidas, incertezas e em busca do seu lugar no mundo. Mas uma coisa apenas difere da maioria das pessoas, Riley é genderqueer (gênero não binário).

Riley ainda não contou para ninguém, pois isto é algo que acabou de descobrir e, ao mudar de uma escola particular católica para uma escola pública, acha que tudo irá melhorar e que o bullying acabará. Porém, as coisas acontecem exatamente ao contrário e a primeira coisa que ouve na nova escola é “É menino ou menina?”

Riley tem ansiedade e por conta disso faz terapia. Seguindo o conselho de sua psicóloga decide abrir um blog sob o pseudônimo de Alix para postar seus pensamentos e desabafar. O que não esperava era que seu blog fizesse sucesso e mais e mais pessoas soubessem dele.

Fama não era algo que quisesse quando abriu o blog, mas quando seus conselhos e desabafos tomam um rumo que ninguém esperava e começam a afetar outras vidas além da de Riley, as coisas tomam uma proporção maior e Riley se vê na obrigação de tomar uma posição.

Por isso, mesmo se você tiver uma visão de raio x e puder ver através da minha calça jeans, o que você veria – ou não veria – não determina minha identidade de gênero. A identidade de gênero não é externa. Não é ditada pela sua anatomia. É interna. É algo que se sente, não algo que se vê – e pode ser bem mais complexa do que apenas masculino e feminino.

Eu fiquei encantada com esse livro. Riley é uma personagem única e que nos mostra e ensina muita coisa. Foi maravilhoso conhecer mais sobre genderqueer com elx e algo que me deixou mais intrigada ainda foi que o autor conseguiu escrever toda uma história sem, em nenhum momento, nos dizer qual o sexo designado a Riley no nascimento. Mas isso, de jeito nenhum interfere na história, muito pelo contrário, no início nos pegamos achando que isso é algo necessário, porém, com o decorrer da trama nem notamos que não nos foi dito.

Todos, Nenhum: Simplesmente Humanos é um livro importante e bem informativo sobre questões de gênero. Além de Riley, que é gênero fluido, temos outros personagens bem representativos na história. Apesar de em muitos momentos trazer um lado mais descontraído, a obra aborda temas bem sensíveis e profundos, o que dá um toque bem real a toda trama. E conforme avançamos na leitura vamos aprendendo um pouco mais sobre a fluidez de gênero e sobre a disforia que Riley sente.

Os personagens secundários são ótimos e bem construídos, cada um com sua história particular e sua importância e representatividade ajudam, de maneiras diferentes, Riley a descobrir quem quer ser na vida. Dois personagens que se destacam são Bec e Solo, amigos de Riley e bem essenciais para que elx passe por tudo que está acontecendo.

Todos, Nenhum: Simplesmente Humanos foi uma das melhores surpresas de 2020 (até porque tá difícil ter surpresa boa esse ano!) e com toda certeza eu favoritei esse livro para a vida!

Tem algo a ser lembrado: estamos aqui para nos ajudar. Podemos ser estranhos na internet, mas somos reais. E estamos aqui.

A diagramação da Plataforma 21 está perfeita com a letra em bom tamanho, folha amarelada e uma capa vazada linda e que tem tudo a ver com a história.

Todos, Nenhum: Simplesmente Humanos é um livro necessário e que deve ser lido por todos. Cheio de representatividade e com um grupo de apoio que vai deixar seu coração acolhido e cheio de amor, esse é um livro que eu deixarei para sempre na minha mesa de cabeceira para reler sempre que eu puder!

Beijos e até a próxima!

Bell

Bell

Sou Bell Paula, tenho 28 anos e sou Bacharel em química e estudante de Tecnologia de Processos Químicos. A leitura está presente na minha vida desde criança, quando meus pais compravam para mim os gibis da Turma da Mônica, isso com meus 8 anos. Apaixonada por série que ninguém conhece, filmes clichês e músicas estranhas, tenho no manuscrito um lugar para falar das minhas leituras e compartilhar minha paixão. Amo livros de YA, romance e fantasia, mas adoro um bom clichê.

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