Resenha #372 O Rato Trapaceiro – Lisandro Santos @FaroEditorial

O Rato Trapaceiro - Lisandro Santos @FaroEditorial


Título: O Rato Trapaceiro
Autor: Lisandro Santos, Maumau (ilustrador)
Lançamento: 2021
Estante: Skoob
Páginas: 36
Editora: MilkShakespeare
Comprar: Amazon
Literatura: Brasileira
Gênero: Infantojuvenil
Estrelas: 5/5

O livro O rato trapaceiro se originou do curta-metragem animado A fábula da corrupção. O projeto da animação foi contemplado em um edital de 2009 pela Controladoria Geral da União (CGU) e pelo Escritório das Nações Unidas (UNODC), e assim pôde ser produzido para a internet em 2010. Inspirado nas fábulas de Esopo e outras mais de fundo moral que usam os animais para espelharem as ações humanas, a história, toda rimada, surgiu com num estalo para o autor, que precisou de poucos ajustes para chegar ao resultado final. A opção da estética da animação, junto ao formato da fábula e ao estilo rimado, contribuiu para que temas complexos pudessem ser apresentados de forma leve e cativante às crianças. A animação participou de muitos festivais e mostras e, inclusive, e ganhou mais de uma dezena de prêmios.

João, o dono do armazém

não fazia mal a ninguém.

Vivia com o Cão e o Gato,

E a cooperação era um trato.

Até que o Rato ali chegou,

E um plano sujo bolou.

Acabou com o dinheiro e a comida,

E do patrão arruinou a vida.

Mas o Jumento, arrependido,

não deixou aquilo passar despercebido.

Para o homem revelou a verdade,

E trouxe, enfim, a felicidade.

**Resenha feita em parceria com a editora**

O Rato Trapaceiro é o primeiro livro infantil da Faro Editorial, publicado pelo selo MilkShakespeare. Todos os outros livros deste selo são juvenis e bem legais, nós já resenhamos vários deles aqui, vale a pena conferir. Esse livro vem com uma missão que, em um primeiro momento, parece ser bem complicado: Ensinar às crianças sobre o que é a corrupção.

Como o próprio nome já diz, nessa história temos um rato trapaceiro, que veio dos esgotos da cidade grande e chegou por acaso em uma pequena cidade. Ele, com seu jeito malando, convenceu os ratinhos a roubarem bastante comida em troca de algo que era benéfico apenas para ele, já que os outros ratinhos seriam prejudicados a longo prazo.

Mas os ratinhos, por falta de entendimento e pensando apenas no lucro imediato (as deliciosas comidas do mercadinho), aceitaram sem pensar direito nas consequências de seus atos. O único ratinho consciente, que tentou inutilmente alertar os outros do perigo, acabou sendo o primeiro prejudicado.

…tem gente que insiste em fazer o que quer, sem se importar com as consequências dos seus atos, como quebrar regras e prejudicar os outros.

Claro que para o plano dar certo o Rato precisou da ajuda do Gato de estimação do Sr. João, dono do mercadinho. O Gato era responsável por manter os ratinhos longe da comida, mas o Rato da cidade o convenceu que ele poderia sair ganhando também. Pensando que estava sendo esperto ele aceita o trato. Todo convencido foi contar sua “esperteza” ao Cão, e acabou tendo que pagar uma comissão, para o Cão ficar calado.

Sr. João era um homem simples e não entendia o que estava acontecendo, mas com o passar do tempo via que o mantimento estava acabando e com pouco dinheiro entrando, logo precisou fechar o estabelecimento. O Jumento foi o único que não concordou com o esquema e no seu jeitinho simples conseguiu ajudar o Sr. João a contornar parte do problema.

O Rato trapaceiro pagou caro pela sua malandragem, os ratinhos pequenos também, o Gato e o Cão que foram seus cúmplices, precisaram tomar outro rumo na vida. E assim todos que se envolveram no corrupto esquema de roubo de comida se deram muito mal.

De vez em quando, pode parecer mais fácil dar um jeitinho para se conseguir alguma coisa – dar uma de esperto, passar a perna em alguém -, mas, no final, nada sai de graça.

O livro foi ilustrado por Maumau, que também é quadrinista, animador, design de jogos e professor. Ele também foi responsável pelos cenários do curta animado “A Fábula da Corrupção” que deu origem a esse livro. O curta foi dirigido por Lisandro Santos, que também foi responsável pelo roteiro e é o autor desse livro.

A história é toda rimada, o que deixa muito mais divertido para as crianças, recomendo que após ler esse livro para elas você também as convide para assistir a animação “A Fábula da Corrupção“, disponível no Youtube, para que toda essa fábula fique mais marcante e inesquecível em suas imaginações.

Falar sobre um assunto tão complexo, como a corrupção, para as crianças pode ser um desafio, mas com esse livro a tarefa ficará muito mais fácil e prazerosa.

…é muito importante refletir sobre as consequências das nossas ações antes de fazer alguma coisa e sempre escolher o melhor para nós, mas sem nunca prejudicar os outros.

Para nós, adultos, também vale uma reflexão. As vezes esquecemos que corrupção não é apenas desviar dinheiro público, mas sempre que enganamos alguém para obter vantagem também estamos sendo corruptos. Oportunidades de praticar pequenos atos corruptos estão presentes o tempo todo em nosso cotidiano. Devemos ficar atentos pois nossas escolhas, mesmo as pequenas, moldam o nosso caráter. E nunca devemos esquecer que somos exemplo para a futura geração. Se queremos um mundo mais justo e sem corrupção, devemos começar por nós mesmos, e pelos ensinamentos que damos as crianças que fazem parte da nossa vida.

Dani Ella

Dani Ella

Meu nome é Daniela, sou paulista, e tenho 28 anos. Leitora desde criança, e há alguns anos me apaixonei perdidamente pelos doramas. Amo um romance clichê, então as comédias românticas sempre tem espaço no meu coração, se puder ser acompanhada de um bom drama, suspense e um pouco de ação (com espadas, talvez?) fica mais que perfeito.

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