Resenha #376 Crianças da Guerra – Viola Ardone @FaroEditorial

Resenha #376 Crianças da Guerra – Viola Ardone @FaroEditorial






Título: Crianças da Guerra
Autora: Viola Ardone
Lançamento: 2021
Páginas: 240
Editora: Faro Editorial
Comprar: Amazon
Literatura: Internacional
Gênero: Drama
Estrelas: 4,5/5

A DESCONHECIDA HISTÓRIA DAS CRIANÇAS DO PÓS-GUERRA

Em 1946, Amerigo, aos 7 anos de idade, parte num trem com centenas de outras crianças para viver por algum tempo com uma família do norte. Foi a forma que o governo encontrou para livrar os pequenos da miséria que assolou o sul depois dos efeitos catastróficos da Segunda Guerra Mundial. Amerigo é pobre, mora em Nápoles com a mãe Antonietta. Ela, então, decide oferecer ao filho a oportunidade de uma vida melhor por um tempo: escola, comida, saúde. Viola Ardone apresenta a história de um garoto enviado para um ambiente desconhecido, sem esconder nenhum aspecto dessa nova experiência, respeitando a dolorosa “duplicidade” da vida de Amerigo: a perda da mãe e a derrota da fome; as raízes cortadas e a nova serenidade; a indigna insegurança e a proteção “artificial” imposta, mas, ao mesmo tempo, providencial. Amerigo nos transporta para uma Itália que acaba de sair da guerra. Narrando a separação e também a descoberta de um mundo novo, cheio de oportunidades, ele se vê diante de dois horizontes e deseja fazer suas escolhas.

Fonte: Amazon

*Livro cedido em parceria com a editora

Itália, 1946. A Segunda Guerra Mundial acabou, porém no Sul da Itália prevalece a fome e a pobreza. Aqui, as pessoas procuram sobreviver à situação econônima terrível que ficou após a guerra. Amerigo Speranza é uma criança de 7 anos que mora com a mãe Antonietta, em Nápoles.

Antonietta costura roupas velhas que Amerigo junta e vende pra ter um pouco de dinheiro para sustentar os dois, e também faz favores para o “Cabeça de Ferro”. Seu irmão mais velho, Luigi, faleceu bem jovem, e o seu pai foi para a América tentar a sorte de ficar rico. Porém, nunca se teve mais notícias dele.

E nessa realidade, Amerigo e outras crianças tem a vida mudada, pois há um grupo do Partido Comunista que está enviando as crianças para o Norte da Itália, onde a situação econômica é mais estável, para que fiquem com famílias adotivas temporariamente, seguras e saudáveis, até que a situação do Sul melhore e possam retornar.

[…] Agora é outra batalha, só que contra inimigos mais poderosos: a fome e a pobreza. Se vocês combaterem, seus filhos irão vencer!

As famílias tem medo de enviar as suas crianças, porém devido a terrível situação, várias famílias inscrevem seus filhos na campanha, seja para uma vida melhor, seja para se livrar de um “peso” em algumas situações. Amerigo ouve várias histórias, dizendo que vão enviá-los a Rússia, fazê-los de comida ou até mesmo explodir o trem. Mas claro, são somente histórias sobre o que não se sabia.

[…] – A fome é mais forte que o medo…

Após as crianças entrarem no trem, este parte em direção ao Norte. Chegando na cidade de Bolonha, várias famílias adotam as crianças, exceto Amerigo. Ele se sente descartado, até uma mulher do Partido chamada Derna adotá-lo. A partir daí, a vida de Amerigo muda completamente, experimentando e conhecendo novas pessoas, experiências, sabores e sentimentos.

Quando volta para casa, já não é a mesma criança, e encarando a dura realidade com algumas situações que ocorrem, o faz escolher em qual caminho ele quer seguir a sua vida.

Tommasino tem razão. Agora estamos divididos em dois.

Ler esse livro foi uma experiência maravilhosa. Eu realmente não esperava encontrar tantos sentimentos nesse livro. A autora trouxe um período difícil da história da Itália pós-guerra aos olhos de uma criança. Vemos toda a pobreza, a miséria, a fome e as dificuldades das famílias para sobreviverem numa situação econômica ruim no Sul da Itália.

Fiquei fascinada pela coragem de várias famílias de aceitarem dar os seus filhos para um programa onde se tinha poucas informações. Com certeza, para várias delas, foi uma escolha difícil, mas pensando no bem-estar da criança, se arriscaram.

Adorei acompanhar Amerigo e todas os seus sentimentos quanto a história: o medo do desconhecido, a curiosidade sobre a família adotiva, a saudades da mãe, interações com pessoas novas, o preconceito sofrido, novas experiências, as escolhas e pensamentos. Tudo isso na perspectiva de uma criança de 7/8 anos, ficou mais dramático e ao mesmo tempo, engraçado e leve em algumas partes, devido a inocência.

[…] Derna diz que eu tenho de ir à escola.
– Outra vez? Eu já fui! – reclamo
– Precisa ir de novo, todo dia, você ainda não sabe de tudo!
– Verdade: ninguém nasce sabendo.
Pela primeira vez, desatamos a rir, os dois juntos.

A história é muito fluida, envolvente e gostosa de ler. Você fica querendo saber o que acontece e quais os pensamentos do Amerigo no próximo capítulo. Acredito que faltou mais desenvolvimento no final do livro. Foi um salto temporal muito grande. Gostaria de ter visto mais a transição da vida do Amerigo. Me senti um pouco deslocada na história por isso, mas o final me emocionou e me deixou pensativa também. Acredito que foi um final perfeito para a história.

Para quem gosta de História, esse livro com certeza é um prato cheio. Para quem curte drama com pitadas de humor, vai amar mais ainda esse livro. Mas, sinceramente, recomendo para todos lerem, vale muito a pena.

Espero que tenham gostado da resenha, beijinhos e até mais.

Simone Haru

Simone Haru

Hellou! Sou Simone, idade acima dos 18 anos, moradora da cidade das Mangueiras e do Círio de Nazaré, Leitora e Otaku desde que me lembro. Atualmente amo romances de época, policial e romance dark, além de mangás e novels asiáticas, mas tenho a mentalidade de que se for interessante para mim, eu leio. Amo assistir animes, e gosto de ver doramas, séries e filmes de vez em quando.

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